ORIGEM E AUTO-CONHECIMENTO


A Nova face da Deusa

Cada uma de nós nasce Única e nesta individualidade está a responsabilidade de florescer e ser.
A Deusa é a personificação da Mãe-Terra. Para os egípcios ela era Isis, para os vikings era Freya, para os sumérios era Inana, para os babilônicos Ishtar.
Como a Terra, a Deusa-Mãe da e toma a vida, podendo ser bondosa ou cruel. O significado da Deusa é óbvio: reflete o sexo feminino perfeitamente. Como as mulheres podem dar a luz, eram tratadas com honras especiais.
Antigamente a perpetuação das espécies era mais crucial que hoje. Desse modo, é fácil imaginar que o homem primitivo acreditava mais em um mundo criado por uma Deusa do que por um Deus como as culturas posteriores sustentaram.

O homem primitivo dançava seus costumes, sua religião. Fatos importantes da vida eram dançados, nascimento, morte, fertilidade. A celebração do culto à fertilidade está registrada em desenhos encontrados em cavernas nas diferentes regiões do planeta. Desenhos estes que datam desde o Mesolítico, demonstrando vestígios do culto à fertilidade.
Um grande número de mitos e cultos dizem respeito à Terra, à Grande-Mãe.
A mulher é a eterna Deusa. Esta afirmação deve ser parte de nossa cultura. Se o homem é o símbolo da força positiva, a mulher detém a energia feminina que recebe, reconcilia, concebe e recria.
Como todas as danças primitivas, a Dança do Ventre começou como um culto religioso, em uma época onde a religião fazia parte integrante da vida cotidiana e se aplicava a todos aspectos da existência.

A dança tal qual é executada hoje está longe de se parecer com a de nossos antepassados.
Aos poucos foram suprimidos e apagados os ritos conectados às religiões e em certas regiões as danças se tornaram um divertimento profano.

A Dança do Ventre é catalisadora para a mulher contemporânea. Essa dança relaxa o sistema nervoso e mantém seus corpos sensíveis à sua verdadeira natureza sem que se tornem fisicamente fracas. O foco central dessa dança encontra-se na região ventral, ou seja, no centro de equilíbrio do corpo.
Cumpre aprender a linguagem do corpo, aprender a linguagem do coração, aprender a retórica da mente. Cada pessoa tem seu símbolo, cada pessoa tem sua maneira de explicar a mesma coisa de diferentes formas.
A mulher também é aquilo que escolhe ser quando é preparada para a responsabilidade de ser mulher.
O toque feminino deve estar sempre no coração e no corpo da mulher.
Uma mulher que se mantém perto do espírito, de sua real natureza e usa sua força sem se deixar ser usada por ela pode integrar-se no mundo masculino com menos ilusão e mais respeito.
O auto-conhecimento é a chave para melhorar o modo de ser.
Da análise e reflexão diária, se seguirá o amadurecimento e compreensão.
Através do convívio com outras pessoas encontramos o espelho que reflete nossas próprias reações, por que o que mais observamos nos outros são as reações que estão mais arraigadas em nós mesmas.
É necessário que usemos o estudo para alargar nossos campos de consciência. A consciência é o campo a ser explorado e cultivado pelo esforço da nossa vontade, por ela vamos procurar sair da condição de criaturas envolvidas pelo meio ambiente que nos conduz, para passarmos à categoria de condutores de nós mesmos com pleno conhecimento de nossas potencialidades em desenvolvimento.
Através de nossos corpos podemos obter todas as respostas que nos afligem e penetrar no mundo do caos organizado feminino. É com disciplina, atenção e transformação de todas as atitudes em rituais diários que poderemos entender a Dança do Ventre como a celebração do templo de onde se origina a vida.

A postura corporal pode influenciar o sistema nervoso para que este se equilibre no axis central. Se positiva, ajuda na concentração equilíbrio e repouso. Se negativa, causa desruptura, desiquilíbrio e fadiga. Uma postura centralizada é a assinatura da harmonia.
A cabeça representa nobreza, a face expressa beleza onde os olhos são as janelas da alma. Os braços são como a seda fluida no ar e chamas ao vento. Os braços são para as dançarinas o que os violinos são para uma orquestra sinfônica.
Na pélvis feminina a força do nascimento está escondida e em sua alma a promessa do futuro.
O ritmo é respiração. No ritmo aprendemos o segredo dos sortilégios mágicos. Ritmo é o que nos ensina harmonia e sabedoria.
É necessário aprender a ouvir a voz da mente. Aprender a entender a linguagem do corpo. Aprender a dar comandos com a voz da mente na linguagem do corpo.

Referências Bibliográficas: O Cálice e a Espada; Danças Sagradas; A Grande-Mãe; As Deusas e a Mulher; Dance e recrie o mundo; Meditações Pagãs.

Texto elaborado, e gentilmente cedido para este site, por Laila Blummer bailarina de Dança do Ventre, pesquisadora de culturas arcaicas e modernas envolvendo o matriarcado.


 



 

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