"Dúnia
é um dos quadris mais soltos e em sincronia musical que
já conheci na Dança do Ventre. Seus movimentos impressionam
qualquer pessoa que esteja na platéia. Tem uma técnica
apurada no que se refere a questão de harmonia. Seu corpo
responde à todos os toques percussivos.
Aparentemente, para ela, as músicas mais elaboradas, com
os toques mais irregulares, parecem brincadeira de criança.
Possui uma sensibilidade incomum na leitura musical: delicada,
sutil conseguindo ao mesmo tempo aparentar força e impacto.
Se fosse tentar descrever em sentido figurado esta mulher incomum,
certamente rememoraria as grandes heroínas e mulheres magnas
da Idade Média, que sempre procuravam estar a frente de
seu tempo e aquém dos mortais presentes.
Apresentações que são verdadeiras obras-primas,
com conclusões primorosas e muitas vezes surpreendentes.
Este é um fragmento da imagem desta bailarina que vive
no presente, mas com alma nos antepassados de culturas distantes.
Tê-la presente no grupo de elite da Casa de Chá é
um orgulho e ao mesmo tempo um grande privilégio."
Jorge
Sabongi - Khan El Khalili, 2000